A vida como um todo.

A mortalidade da nossa imortalidade.

Todos nós a uma certa altura da vida fomos imortais. Fomos tudo o que a vida nos permitiu ser, sem limites, sem restrições, identidades que tudo podiam fazer sem qualquer limite. Lembram-se quando o tempo custava a passar, quando um dia era uma eternidade, e esse mesmo tempo era para ser vivido, para ser aproveitado, sem qualquer limite. Nesta altura o limite não existe é uma palavra de ordem não o ter. Limites quem os viu, só com o avanço da idade que tudo se torna mortal. Como qualquer coisa nesta realidade que é a nossa em que tem um principio, um meio e um fim, também nós temos uma fase ascendente, e o declínio que espera por todos nós. Mas será que em todos os momentos temos essa noção? Será que poderíamos viver se sempre pensasse-mos que um dia tudo terminaria?

Como é quando somos inocentes? Sem qualquer ideia da maldade, e do que a vida nos faz ser e sentir. Sermos pequenos, dependentes daqueles que nos protegem e nos auxiliam a crescermos. Como seria bom não sermos em tudo responsáveis em tudo o que fazemos? Mas como tudo existe um lado solar e um lunar, frio e sem vida. Pois agora que mais velhos somos, seria difícil voltarmos atrás? E faríamos assim tão diferente? Isso é uma questão tão complicada, pois se realmente gostamos daquilo que somos hoje em dia, e se esse resultado é a combinação de tudo o que fizemos, então se mudássemos mesmo que só uma pequena coisa, não perderíamos a nossa identidade. Por varias teorias dos multiversos, podemos afirmar que por cada encruzilhada em que temos de tomar uma decisão uma parte de nós segue um caminho, e a outra segue o outro. Neste caso então o que somos senão uma consequência das nossa escolhas, e que por ai andará outras versões de nós, não necessariamente melhores, mas simplesmente diferentes.

Como é bom lembrar quando tudo podíamos fazer, quando tudo era possível, não por ser na realidade, mas por o sentirmos, e isso, era o que mais contava. Ser jovem era tão bom! Mas o que significa ser jovem? E quando termina a nossa juventude? Há quem diga que cedo demais, outros parecem nunca dela saírem. Mas todos nós, mesmo que contrariados, temos de a deixar para traz, para outras coisas viver. Mas como é cheia de saudades tais memorias. Eu lembro-me de não ter limites, essa palavra que já antes referi, e tanto repito, não por querer, mas porque a vida me obrigou a olhar para eles, e mesmo que nunca queira, sempre tenho que o fazer.

 

Como seria sermos os jovens invencíveis que já fomos, e não o podermos sentir? Sermos limitados pela finitude do tempo? Para isso já chega quando o tempo nos obriga a isso sentir, mas isso não é para a nossa adolescência. Quem nos dera ser jovens outra vez! Será que seria assim tão bom? Com tudo à flor da pele, em que o sentir se tornava extremos de um momento para outro, em que os desaires da vida, eram catástrofes impensáveis de ultrapassar? Como os idosos o dizem “se soubesse o que sei hoje!”. Mas isso seria impossível, senão não seriamos jovens, livres das limitações do tempo e da carne mortal, onde saltar de uma ponte para um rio de cor baça, sem termos noção da sua profundidade e perigos, tornava-se impensável. Daí a necessidade de sermos jovens e não criaturas envelhecidas. Da mesma forma que considerando que o auge da nossa competência percebida é entre os trinta e os quarenta e cinco anos, temos de sentir que os projectos são uma escolha, misturada com empenho, esse elemento tão necessário ao nosso sucesso. E faz sentido que seja nesta fase ascendente de vida que já tenhamos objectivos de vida, projectos realizáveis, um fio condutor de vida. E o que acontece se não encontramos esse mesmo trajecto? O que nos sobra? Uma resignação ao que a vida nos traz, sem o prazer da busca, da conquista!

O que significa envelhecer, mesmo que jovem ainda? Como reparamos nós que o tempo nos ganha na sua própria corrida? Como já antes o disse, e o reitero, o tempo leva o que é dele! E digam vocês o que isso significa? O que leva ele que não reparamos, só quando é tarde é que vislumbramos, que contra ele nunca ganhamos. Pensemos sobre as diferentes idades que já vivemos. Já muitas vezes observei as pessoas de idade mais avançada para tentar perceber e prever o que será para mim também o ser! Mas tudo se torna diferente, por mais uma vez as escolhas. Tudo se resume a isso. O que escolho e que consequência e que isso tem na minha vida. Então o que se deve escolher, para quando a mortalidade se aproximar de nós, quando repararmos que aqueles que eram importantes para nós começam a desaparecer, e cada vez mais sozinhos nos sentimos? Como deve ser triste ver partir aqueles que connosco partilharam a vida, com amargos de boca e sorrisos abertos. Eles sempre lá estiveram, e com a finitude da vida, também partem, não sei para onde, mas sei que nos deixam, e nesta inexistência carnal, a saudade toma conta. “Sinto a tua falta, a cada momento do dia. Como te queria aqui, ou eu aí contigo, onde quer que isso seja. Mas para minha pena, ainda tenho que por aqui andar a vaguear por um mundo que já não conheço, que me ultrapassa, que já me ultrapassou à muito, sem que eu próprio me desse conta. Quando perdi eu o comboio da evolução? Mas isso agora também não interessa. O meu tempo também chegará, e por ele espero já com ansiedade. Já estou preparado para deixar de existir, a vida já cansa, e eu consumido por ela, anseio um descanso eterno, seja ele o que seja, um simples fim, ou um principio.”

Desde que nascemos até morremos atravessamos tantas fases diferentes, para depois podermos ir embora, e deixar cá alguma coisa, seja ela qual seja. Mas o destino do ser humano é deixar uma marca no mundo que todos os dias muda.

Qual é a sua marca eterna?

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Autor: Pedro Garrido

A Psicologia sempre foi para um sonho de carreira que agora concretizei. Sempre senti que esta profissão tem de ser a única escolha que alguém tem de ter, pois também neste âmbito tem de ser uma questão de vocação, como se tivesse-mos um chamamento que se reflecte na capacidade de estarmos próximos de quem a nós recorre. Da mesma forma que os pacientes tem de abraçar este caminho, também nós o temos de fazer, abraçando também quem está frágil, desmotivada, desacreditada. Assim me apresento a vós com a esperança que este espaço vos traga algo de novo. contacto 965172940. Avenida 5 de Outubro, 10, piso 7, sala 14, Lisboa

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